LUZES OPACAS – MILÊNIO 2000

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LUZES OPACAS

Milênio, 2000

Estranhas luzes inundam bolsos opacos.
Trilhas quedam-se ante expectativas silenciosas.
Folhas tangem-se, encantando sofismas nus.
Além dos olhos, escondem-se imagens retorcidas de amanhãs.
Calados, palpitam corações e sorriem pincéis diante de tintas e espátulas atônitas e inúteis.
Perplexos, bibelôs humanizam-se para chorar a partida do amor.
Estranhas luzes apagam-se, piscando longinquamente…
Nós, pequeninos, dissolvemo-nos em microestrelas polares…
Abre-se a cortina desse tempo, virtualizado, mimético e sedutor, preenchido de vazios infinitos.
Calo-me nos braços que acalentam esper(ânsias) fantasiosas.
A multidão clama por fé.
Profetas desdenham.
A Amazônia enrubesce a face verde — não de ódio, envergonhada.
Grita, Cerrado, deslumbrado ante a fragilidade do Pinus, e cantam flores esguias e resistentes, de brilho seco, silhuetas frágeis… Mas fortes!
Pântanos de almas labirintizam-se em águas misteriosas do pantanal estelar e do baixo paraíso.
Voa a alturas inframoleculares, meu ser quântico, esgarçado na palma da mão do tempo, tresloucado mutante.
Roda ruas de espanto!
Transgênicas esperanças amamentam o Superego.
Édipo ejacula incestuosamente, agora nas axilas da muleta visionária, tingindo o olhar de Jocasta de perversões cristificadas.
Cruzes esgrimam pelo afeto de luzes que despencam dos astros de TV digital, sem pálpebras.
Surreal espectro humano degusta o malte precocemente envelhecido em tonéis cármicos, repartidos em dimensões cósmicas, partículas de eternidade.
Totem indissociável, mas de natureza esquizofrênica, desliza por fibras óticas rumo às latas de cerveja, nos shoppings do desespero humano.
Entediado, o peido vibra integrando o ambiente.
Evidentes desacordos estabelecem o consenso.
A malta não se revolta; revolve a relva e cai em prantos de alegria pelo crescimento da miséria e pela exponenciação da desigualdade no Planeta da Afluência.
Penitências penteiam-se e dores maquiam-se. Mas os cosméticos resistem e desencadeiam um movimento pró-fealdade, a real face planetária.
Escravos do consumo, Bill Porteiras comenta com Steve Emprego que a onda é abrir janelas fragmentadas infinitamente sobre as ruínas da infovia, que reclama asfalto ao Padilha, enquanto lábios sedentos de beijos sangrentos, secretos, escarnecem das herpes e aftas, para gáudio do Zovirax.

Assim se inicia o milênio.
Salve 2000!

Publicado por Thor

observador, escritor, poeta aprendiz, professor, consultor

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