Vivemos uma época turbulenta, na qual em cada momento experimentamos sensações especiais, que nos remetem a uma reflexão profunda sobre nossa jornada existencial.
Por isso somos induzidos a sermos mais perspicazes e procurar entender o que está por detrás de tantas mudanças, aparentemente repentinas. De fato, a velocidade das mudanças era prevista a muito tempo, mas a capacidade de vivermos uma vida sob tanta turbulência e ajustes nas trilhas previamente definidas pelas instituições e pelo acaso, não.
Mudanças decorrentes do choque intenso entre variáveis políticas, econômicas, ambientais e culturais, nos fazem parar e refletir mais detidamente, sobre o que está acontecendo não só ao nosso redor, mas no fundo de nosso íntimo.
Diante disso, percebemos que as mudanças nos influenciam nos mínimos detalhes de nossa vida. Nossos relacionamentos com as pessoas e com a própria natureza se tornam cada vez mais importantes; sobretudo as pessoas cuja frequência vibracional, sintonia mental, espiritual e estilo de vida convergem com o nosso.
Esta é uma época aparentemente contraditória, porque gera percepções diferentes, mas de autoconhecimento profundo, pois somos impactados de formas diferenciadas. Sabemos que viver é uma viagem individual, sobretudo quando pensamos na evolução da pessoa, mas só se caminha até o fim da jornada em companhia de outras pessoas, que conhecemos ao longo de nossa história. E são essas pessoas que marcam nossa jornada existencial, para o bem ou para o mal.
Convém pensarmos na nossa vida por etapas e verificarmos quantas pessoas cruzaram nossos caminhos de uma forma, ou de outra; pelo sofrimento e prazer que nos deram.
Mas, de tudo, restam as experiências vividas com pessoas inesquecíveis. Muitas passaram velozmente, mas deixaram marcas profundas tatuadas na nossa vida. Outras, o tempo se incumbiu de apagá-las de nossas lembranças.
Mas, vez em quando, voltam em flashes nos sonhos e até em momentos de lembranças repentinas. E pensamos – onde estarão agora. Vivas, ainda? Ou já passaram para outros planos.
De qualquer forma, independemente de onde estejam, nossa mente nos mostra o quanto a vida é uma viagem fascinante.
Parece que o tempo não passa, há momentos que ficaram gravados; e deles lembramos como faíscas de energia e memória, pois vibram em nano segundos – e estão vivos em nossa memória arcaica.
Precisamos apenas de alguns estímulos para que retornem ao nosso convívio, ainda que na forma de pinturas que nossa mente cria e nos comove. Assim, vivenciamos instantes eternos. Principalmente, se forem boas lembranças.
Portanto, é importante – nesse período de grandes transformações – descobrirmos o que realmente nos importa. O que a vida nos deu, de verdade, para nos aperfeiçoarmos como seres humanos?
Vemos o planeta sofrendo convulsões crescentes – com epidemias variadas, tristezas profundas e coletivas, ambições desenfreadas, egoísmo exagerado, usura exponencial e soberba abismal. Tudo isso, além de mudanças climáticas e suas, muitas vezes, trágicas consequências.
As crises existenciais avançam numa velocidade absurda. A depressão se torna uma doença que se espalha como epidemia e não vislumbramos saídas, a não ser pela indução ao consumo vazio de bens materiais e remédios artificiais, que embotam a percepção da realidade.
E isso só é possível para quem tem condições de comprar esses paliativos.
O que pensar do drama de bilhões de pessoas abandonadas pela usura econômica e pela soberba institucional!!!
Atravessamos um período histórico no qual os conflitos e dilemas humanos ultrapassam os limites da razão e ferem os sentimentos solidários mais profundos.
Pois ao invés de saídas para as crises, aumentam os abismos entre humanos.
E os discursos vigentes buscam induzir a um conformismo miserável e incapaz de levar ao discernimento e à verdadeira solidariedade.
Será que esgotaram as práticas seculares de dominação? Os sistemas de poder vigentes só se mantêm pela violência e pelo controle das mentes? Por meio de imagens e falas falsas e vazias, mas dotadas de conteúdos artificiais de convencimento, que enganam bilhões de incautos, por intermédio da influência nefasta de tecnologias de informação e comunicação, cada vez mais poderosas e intrusivas?
Vivemos uma era na qual o discernimento deveria ser uma grande virtude, mas não acontece. Os processos de dominação levam ao embotamento e a justificativas sem fundamento algum, para a aceitação do que é imposto, sem contestação, ou crítica.
A questão da identidade individual é colocada de forma que a dúvida e a insegurança sejam adotadas como estratégias de submissão. E é mais fácil “contestar” sem saber o que está por detrás dos mecanismos políticos de indução ao comportamento social.
Porque levam o incauto a acreditar em promessas vazias de líderes que -supostamente- querem melhorar a vida das pessoas; mas suas práticas são egoístas, individualistas, corruptas e manipuladoras. Bilhões de pessoas acreditam nos sistemas de poder vigentes, porque foram condicionadas a aceitar, sem contestar criticamente, para fugir da punição física e institucional.
Mas nesse período que vivemos de profundas crises existenciais, as doenças construídas em laboratórios e os antídotos artificiais começam a ser rejeitados por um número crescente de humanos, que despertaram para novo modo de convívio entre pessoas. E pode ser que gerem influência e cresçam exponencialmente! Essa é uma expectativa otimista.
Portanto, as precárias condições de sobrevivência, a não aceitação da violência institucional, a luta contra a corrupção, contra a usura e contra a farsa da escassez de recursos em mundo abundante, mas desigual na distribuição da riqueza e acesso aos serviços, motivam pessoas e despertam consciências.
No entanto, ainda vemos milhões de pessoas em desesperada crise existencial – experimentando situações de conflitos agressivos e até desumanos, e isso nos toca profundamente.
E nada podemos fazer, objetivamente, para mudar essa triste e trágica realidade. A insegurança, o medo do que poderá vir a acontecer nos próximos tempos, nos leva a um estado letárgico, de perplexidade, angústia; e até de pavor.
Há, entretanto, expectativa de que é possível enfrentar os sistemas de poder vigentes, com o despertar de uma nova consciência. Para tanto, é preciso investir profundamente no autoconhecimento e na análise da realidade do ponto de vista político e social. É preciso assumir nova postura e agir, para mudar a realidade, verdadeiramente.
Esse é o momento de decidir mudar de vida! E mudar.
Somente a partir de novo pacto civilizatório, no qual as pessoas poderão viver seus direitos plenamente, mas também cumprir seus deveres de cidadania exemplarmente, será possível sobreviver ao caos que se avizinha.
Percebo também que há inúmeras pessoas que vivem o momento presente, sem ter consciência da importância disso, pois estão compenetradas em cuidar de suas obrigações e lutarem para sobreviver, pagando contas e tentando manter um mínimo padrão de sobrevivência para si e seus familiares mais próximos.
Dessa forma, essa situação de incapacidade de discernir e de conseguir tomar atitudes que mudem a situação, parece ser consequência de uma estratégia de dominação social e pessoal maligna, pois induz pessoas a viverem num ambiente impregnado por sensações de abandono, sem esperança e sem rumo para o dia de amanhã.
E o desafio maior é descortinar saídas para o sofrimento e a miséria, cada vez maiores, em nível planetário. Normalmente, as pessoas tendem a crer que a providência divina e os políticos vão resolver os graves problemas que enfrentam. Mas o que se vê são promessas vãs, que ocupam espaço no coração dos desalentados e o aumento exponencial de pessoas carentes e sem condições de construir um futuro digno para si e seus familiares. Isso acontece em muitos países. E em escala crescente!
No entanto, há também condições objetivas de se mudar essa terrível realidade, desde que haja vontade política, em nível global e pessoas dispostas a melhorarem de vida e conseguirem se preparar para enfrentar os desafios que virão nos próximos anos. Não serão anos fáceis, pois aumentará muito a miséria – em consequência dos conflitos atuais, que exigirão um reordenamento econômico, logístico e político entre os países e suas economias.
E, mais ainda, que se definam estratégias capazes de inserir na economia, de forma produtiva, bilhões de pessoas que estarão de fora como agentes produtivos, mas terão que ser consumidores. Isto requer uma nova forma de solidariedade social, visão de futuro e competência gerencial, além de motivação psicológica e saúde física e mental de todos nós.
Pelo que se tem notícia, a proposta mais veiculada pela mídia, está vinculada aos objetivos dos globalistas, que propõem:
.Renda mínima e ração para sobreviver;
. Abolição da propriedade privada;
. Submissão total à governança tecnologizada,
.Eliminação da liberdade individual,
.Implantação de um padrão de comportamento que eliminará a identidade individual.
Parece ser o pior dos mundos, o que propõe esse modelo de dominação.
E, o que é pior, é que a quase totalidade daqueles que serão capturados por essa lógica de dominação não tem sequer noção do que está acontecendo.
É difícil despertar quem foi ideologicamente dominado desde jovem – e quem tem fome e agradece por um prato de ração; terceirizando a gestão de seu futuro.
Esse modelo já tem sido experimentado em alguns países asiáticos. Evidentemente não há consenso. E muito pouca satisfação! Quem quer viver sem liberdade? O que se sabe é que haverá muita resistência, em vários níveis, para sua implantação global. Mas é preciso muita atenção, pois o advento de um novo modelo de comércio, distribuição e acesso a bens e serviços levará a novos sistemas de poder e dominação.
Convém analisar mais detidamente os impactos sobre as pessoas que esses movimentos políticos e econômicos causarão, pois as legislações de todos os países sofrerão pressão para serem ajustadas à essa nova lógica de poder global.
Não sabemos ainda, qual será essa lógica, mas sabemos sim, que o mundo que estamos acostumados baseado na desigualdade de acesso à riqueza, mas com liberdade e possibilidade de aprimoramento na participação social e política, sofrerá mudanças estruturais e profundas.
As consequências são imprevisíveis e o momento atual requer atenção e visão de futuro. Pois todas as pessoas, para sobreviverem de forma digna, terão que participar dessa discussão, em seus vários níveis.
Dificilmente a história perdoará os omissos. Aliás, nunca perdoou.
Finalmente, é preciso que cada pessoa pare um pouco de consumir seu tempo precioso com coisas inúteis;
já não há mais condições de desperdiçar o bem mais valioso que a vida nos deu: o tempo!
No íntimo, todos temos uma bússola existencial, que não mede nossa rotina pelas imposições cruéis do relógio. Essa bússola guia nossos sonhos mais remotos, nos lembra de decisões tomadas e não realizadas, mas que estão guardadas em gavetas abandonadas em nossa memória arcaica.
E quanto mais o tempo passa, submetido a pressões externas, mais se mexem projetos abandonados dentro dessas gavetas e começam a nos incomodar e alertar que alguma coisa importante irá acontecer. E geralmente não sabemos o que é. Só sabemos que acontecerá.
Pois é, esse tempo é de mudanças profundas e estruturais na economia, na política e até na psicologia humana, construída baseada em valores e regras que se tornam obsoletas rapidamente. E o problema é que não sabemos quais valores serão solidificados nesse novo mundo que certamente surgirá nas próximas décadas.
Muitos pensam em legados! Que justifiquem nossa existência? O que deixaremos às gerações futuras? São questões importantes, sim. Mas o momento presente está exigindo atitudes para enfrentar os desafios diários, sem perder de vista o foco no momento seguinte. E muitos se perdem envolvidos desesperadamente numa rotina assustadora. Milhões de pessoas estão vivendo no coração do furacão, sem antever saídas para sua crítica situação.
Realmente os problemas a serem enfrentados são graves e as soluções difíceis. Geralmente, conseguimos paliativos, adiamos as soluções – não por vontade própria, mas por falta de condições reais. Isto leva a um acúmulo de novos problemas sobre os antigos, cujas consequências psicológicas e emocionais são terríveis, pois levam ao adoecimento físico, emocional – e ao desânimo, à descrença e ao aumento da sensação de abandono.
Essa é uma característica do nosso tempo. Tempo de provações crescentes. Tempo que requer pessoas fortalecidas e capazes de sobreviver enfrentando adversidades. Para tanto, precisa estabelecer alianças com pessoas que podem ajudar a superar as dificuldades. Trabalhar para construir uma rede de ajuda mútua, na qual os participantes se preparam para enfrentar dificuldades em conjunto.
De fato, é preciso atenção e solidariedade, pois para superar as dificuldades é preciso também antever problemas e isso requer capacidade de análise e competência para sair da bolha e ver o horizonte, cada vez mais complexo e incerto.
Obviamente nem todos conseguirão, mas muitos poderão ajudar àqueles que ficaram para trás, até onde der… Como diz Taleb, os antifrágeis terão que assumir o comando.